Com ou sem gelo e limão?

Estava escrevendo um post mais pessoal, mas veio o tema, então vamos nós.

Assim que pisei na faculdade, há mais de 4 anos, a polêmica já existia. “Vão extinguir a obrigatoriedade do diploma”, a frase ecoava nos corredores. Acredito que na época os contra o diploma haviam vencido uma batalha e provocaram o levante dos jornalistas da federação. Desde o primeiro dia de aula fui categórica: não acho que o diploma deva ser obrigatório. Então, o que eu estava fazendo no curso? O mesmo que os meus colegas defensores do diploma estavam: me aprimorando, aprendendo a pensar. E uma das poucas noções que não mudaram em mim, desde então, é esse achismo de que não, o diploma não deve ser obrigatório mesmo.

A maioria dos argumentos de quem foi contra o diploma passou por uma desvalorização rasteira da profissão, o que não é a minha intenção.  Até que ponto um diploma ou uma marca de jornal dá credibilidade a um texto? Um blog, por exemplo, depois de algum tempo constrói uma rede de credibilidade similar ao contrato fiduciário entre leitor e jornal. Assim como as matérias do jornal estão enquadradas dentro de moldes que vão desde a linha editorial até os interesses comerciais e pessoais dos reporteres, um blog se apóia nas pernas finas de um ‘relator’ que pode ser um publicitário ou um engenheiro químico ou um advogado.

A matéria feita por um jornalista diplomado é sempre melhor e mais confiável do que aquela feita por um ‘jornalista’ apenas bem treinado? A ética é tão valorizada nas redações? Se for, não devemos nos preocupar, diplomados ou não diplomados, sucumbirão ao modelo que impõe os valores da ética do jornalismo acima do lucro. Acredito que o direito de assumir a responsabilidade sobre um relato, garantindo sua apuração bem feita, não deva ser competência apenas dos diplomados. Triste será ver que o modelo quadrado do jornalismo diplomado será repassado para as remessas de não diplomados, que, em vez de dar novo fôlego ao noticiário se unirão ao coro tradicional. Deixo claro que fujo da concepção de que jornalistas não formados sucumbam mais facilmente às pressões do  anti-ético.

Novamente, como no caso da Petrobrás, a questão está resumida no universo mercadológico do problema: emprego, valorização do profissional etc. etc. Fico um pouco entediada com o drama feito pelos futuros profissionais. Se pudesse contar um segredo, olha só: na prática, diploma nunca foi obrigatório, sempre foi diferencial, e assim continuará sendo. Os veículos que exigiam o diploma por preocupação com a qualidade, continuarão exigindo, aqueles que não exigiam, continuarão não exigindo,  mas selecionando também e com frequência os diplomados. Quanto a ameaça de extinção do curso, olhe para os nossos colegas publicitários, o diploma também não é obrigatório, e estão aí firmes e fortes, multiplicando-se cada vez mais, daquele jeito.

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Com ou sem gelo e limão?

2 comentários sobre “Com ou sem gelo e limão?

  1. Concordo.
    Só não concordo com a comparação com a questão do blog da Petrobras, que não tem nada a ver.
    O blog afrntou princípios básicos da construção de uma reportagem, das técnicas e práticas jornalísticas que, para serem bem feitas, não precisam ser produzidas por alguém com diploma na bagagem.
    O blog interferia no produto, em seu resultado para o leitor e no Jornalismo, com J maiúsculo (enquanto prática/atividade). Para se fazer Jornalismo não é necessário ser graduado em Jornalismo (embora o curso, se de boa faculdade, possa dar várias ferramentas para que o sujeito se aprimore profissionalmente).

    Enfim, uma coisa não tem nada a ver com a outra, são questões totalmente diferentes.

    Sobre o blog, recomendo um texto do jornalista e professor de jornalismo da USP, Carlos Chaparro, que tá no Observatório da Imprensa.

    bjs

    1. mariatereza85 disse:

      A comparação foi com a questão da lógica de mercado, sim, em níveis compleeetamente diferentes (tinha defendido o blog da petrobrás no post anterior, falei que a questão se resumia no final das contas apenas a relação entre veiculos e a exclusividade, e que ver problemas mais profundos que esses era ingenuidade). Ah, e concordo muito com o artigo do observatório!

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