Hostel em Buenos Aires

Parte 1. Porquê do post

Passei o final do ano passado em Buenos Aires. Fiquei de escrever um diário sobre a viagem, mas, como tudo que planejo escrever, acabei adiando, adiando e não escrevendo nada. Ou melhor, quase nada. Ontem uma amiga pediu dica de hostel em Buenos Aires e lembrei de um e-mail que tinha escrito sobre o hostel em que fiquei por lá. Coincidência, um pouco mais cedo, outra amiga tinha pedido dica de hotel barato em São Paulo sem ser o Formule 1, recomendei o San Gabriel, em que, se você for ficar de dois num quarto, sai mais barato do que o Formule. Aproveitei pra comentar que não sou fresca, não sou do tipo que se importa com “azulejo meio quebrado” e, no final das contas, sou do tipo que gosta mais dos azulejos meio quebrados do que dos inteiros limpinhos…

Parte 2. Hostel Portal del Sur – o e-mail.

Nuno, então, conheci dois hostels por lá. O que eu estava, Portal del Sur, e o que algumas amigas minhas estavam, o Millhouse Avenue. Por este site você acha esses e outros: www.hostelworld.com (fiz minha reserva por aí, e fazem comentários e dão notas, etc.).

Minha descrição vai ser extremamente parcial, porque me apaixonei completamente pelo meu hostel. Os 12 dias em que fiquei lá sairam por 300 reais (600 pesos, aproximadamente).

História:

Ao chegar no hostel Portal del Sur, um recepcionista muito mal educado conversava com um amigo e não me deu atenção. Tive que aguardar alguns instantes até ele me informar que o check in era no segundo andar. Estava com uma mala enorme, 21 kg, e vi que só tinha uma escadinha estreita, pavimentada com um mármore ou similar rachado em algumas partes, tomei folego e, depois de 8 horas viajando, comecei a subir. Descobri então que o andar da recepção era o zero e não o primeiro, portanto, teria mais escadas que pensava. Ao alcançar com muito custo o primeiro andar, depois de três lances de escada, descubro que há um elevador. Aperto o botão, e o elevador passa direto. Desconfio que ele não deve parar naquele andar, que não era realmente um andar, era só um lugar em que a escada parava por um tempinho.

Cuspindo meu pulmão para fora, chego ao segundo andar e penso que apesar do mau tratamento eu iria demorar um pouco pra querer descer as escadas com a mala, então ficaria por ali mesmo (até porque todos os outros hostels estavam lotados na época). Na recepção do segundo andar, em meio a muitos cartazes de atividades, está um recepcionista totalmente careca, com vinte e tantos ou trinta e poucos anos, algumas tatuagens, uma blusa roxa moderna e cavanhaque. Bem mais gentil, ele faz o meu check in tranquilamente, explica que só há uma chave por quarto e indica a direção para o meu, a dois passos da recepção. No caminho para o dormitório, escuto uma reclamação de falta de papel higiênico e um homem que perguntava sobre toalhas – lá, elas são alugadas a 2 pesos, mas é uma vez até você querer trocá-las.

Ao entrar no quarto, em meio ao breu e ar carregado, estão os dois beliches e um colchão no chão. Sentada no colchão, Eileen, minha então colega de quarto britânica, me olha com uma cara que não sei se era feia ou se era a cara dela mesmo (até agora estou em dúvida, ela conservou aquela expressão todo o tempo, exceto em um dia em que estava dopada). Ela não me convida pra entrar e fala que tinham a informado que iriam me trocar de quarto (aparentemente o quarto estava reservado só pra ela), por isso não arrumaram nada, e estava aquela zona. Fui ao recepcionista novamente que nega a versão da colega de quarto. Volto ao quarto, colega vai conversar com recepcionista e volta falando que era aquilo mesmo, eu iria dividir o quarto com ela.

Não foi uma recepção calorosa, mas aprendi que era o jeito britânico, ela estava preocupada porque o quarto estava uma zona, e não porque eu estava no quarto. Mas sou excessivamente tranquila pra esse tipo de coisa, então só ajeitei uma das camas pra mim e tomei um banho. O banheiro do quarto é pequeno porém suficiente, nada escandalosamente mínimo. Tem torneira para água quente e fria, a região próxima ao chuveiro se alaga facilmente, principalmente se o banho for tomado na potência máxima. Depois do banho, saí para procurar algo pra comer.

O Hostel fica em uma região bem central. A rua Hipolito Yrigoyen fica a uma quadra da avenida 9 de julho e é paralela a avenida de mayo, mas era dia de natal, então praticamente tudo estava fechado, acabei comendo um sanduiche de jamon y queso e voltando para minha cama. O colchão era surpreendentemente muito bom, os lençóis limpos, porém se você fosse checar a fundo, como eu, e tirasse a fronha, veria que o travesseiro estava um pouco manchado. Tinha levado o meu próprio, mas tudo cheirava muito bem, então fiquei com o do hotel também. Além do travesseiro, você tem o direito a uma pequena almofada, muito útil pra quem gosta de dormir abraçado a algo.

Na manhã seguinte, a colega britânica me apresentou o funcionamento do elevador e do café da manhã. O elevador, similar ao do filme titanic, e provavelmente ao do navio, comporta três pessoas por vez e deve ter suas duas portas fechadas manualmente para que possa subir e descer. Algumas vezes, ao chegar um tanto cansada no hostel, algum filho da puta tinha esquecido a porta do elevador aberta no quarto andar, então subia pelas escadas. Acabei criando um carinho especial pelo esforço dos dois longos andares a serem subidos, compensa o tanto que se come por lá.

O café da manhã é servido no terraço. Depois de subir de elevador até o quarto andar, uma estreita escada de madeira nos levava a um lugar maravilhoso em que há uma área fechada e o terraço, com vista linda para os prédios antigos da rua. Para quem gosta de paisagens urbanas. Sentamos numa das mesas e aguardamos a mocinha trazer o básico: duas medialunas, duas fatias de pão de forma, uma integral e uma natural, uma manteiguinha e um requeijãozinho. Para servir a vontade: geléia, doce de leite, leite quente ou frio, água quente, chás, suco de laranja tang, achocolatado, café e eventualmente alguma surpresa. Os bolos surpresas que apareceram por lá durante minha estada não estavam muito saborosos, em compensação, as medialunas sempre eram divinas.

Passeei bastante no segundo dia e voltei ao hostel mais a tarde. Ao entrar no meu quarto, ele estava impecavelmente arrumado e cheiroso, camas feitas, banheiro limpo, e assim foi por todos os outros dias. Os dois beliches são separados por uma distância muito boa, há espaço pra dançar tango no quarto. No início da noite fui ver o tal bar do terraço, onde facilmente conheci um pessoal do brasil e me arranjei pra sair pela madrugada. O bar tem um ar improvisado, o pessoal que atende joga animadamente ping pong, em uma mesa construida por cima de uma mesa de sinuca, o que achei muito mais simpático do que se fosse sinuca. A música ambiente varia de rockzinho anos 70 a algo local. Nada que incomode, exceto no meu último dia por lá em que um grupo de brasileiros colocou sertanejo ruim para tocar, mas, assim que chegou mais gente, os garçons/recepcionistas/bartenders tiraram a música. Também servem comida, mas não recomendo. Não é ruim, mas, pelo mesmo preço, dá pra comprar coisas melhores nos arredores.

No terceiro dia, minha colega de quarto britânica se foi e minhas amigas chegaram. Laila e Alice. Alice ficou com outras amigas no Milhouse, Laila ficou em outro quarto no Portal del Sur. Ao chegar, as duas também cairam no golpe das escadas, acho que deve ser um trote, e comentavam como o Milhouse era muito mais legal. No mesmo dia passei por lá, e, dependendo do tipo de viajante que você seja, realmente, há vantagens em se ficar no Milhouse. Ele é um party hostel, ou seja, festas barulhentas todo dia. Mas tem um ar exclusivista que me incomodou, dão pulseiras identificadoras (!) para os hóspedes, e só entra no hostel quem é hóspede (no Portal del Sur entra quem quer, supostamente há um formulário a ser preenchido, como a portaria é estreita não tem tanto problema com falta de identificação).
A recepção do Milhouse é ampla e com cartazes bem localizados e dispostos de uma forma designermente correta, as recepcionistas parecem promoters e tem uniforme, até o penteado é uniformizado. Os quartos tem paredes brancas sem quadros em contraste às paredes laranjas com quadros bregas do Portal. Os armários nos quartos do Milhouse são jaulas em que se pode ver o interior, ao contrário dos armariozinhos de madeira do Portal del Sur, bem discretos. O banheiro do quarto no Milhouse é mais amplo e todo branquinho, como em um hotel. No segundo dia em que passei pelo quarto das meninas, estava imundo e com o vaso sanitário entupido. No meu quarto do Portal o banheiro sempre se conservou muito limpo e, fora alagar um pouquinho a cada banho, não tivemos problemas com encanamento.  O ambiente de bar do Milhouse é bem “gente jovem e bonita”, moderno, e há pegação garantida. No Portal del Sur, as pessoas sentam e conversam.

Apesar de toda a pompa do Milhouse, depois de uma semana a Laila se apaixonou pelo Portal del Sur também. Se voltar a Argentina, pretende ficar por lá novamente.

No Portal del Sur não há uma uniformidade na decoração, um tanto kitche, mas cada detalhe, cada quina quebradinha de parede ou móvel conta um pouco de história.  Eu, pelo menos, prefiro assim. É fácil se sentir em casa e conhecer pessoas novas. Se for ficar em um quarto misto com banheiro, recomendo o meu, o 202, apesar de ser no andar do espaço de convivência, não escutava barulho nenhum, somente o da rua – com o qual já estou acostumada por conta do meu prédio aqui em BH. As meninas do terceiro andar escutavam a algazarra e reclamaram um pouco. O quarto tem ventilador e uma micro varanda, que deixa o ar circular bastante. Os quartos com ar condicionado tendem a ficar muito frios. Existe apenas um recepcionista insuportável, os outros são muito solícitos e cada um tem sua personalidade, não há uniforme, acabei me apegando também ao chato.

Quanto à segurança, deixei todas minhas coisas sempre bem acessíveis a qualquer ladrão que as quisesse e não fui assaltada. Você pode levar o seu cadeado e trancar o armário pessoal. Mesmo com uma só chave, muitas vezes deixada no balcão vazio da recepção, sempre foi bem tranquilo entrar e sair do quarto. Depois de algum tempo, se não havia recepcionista no segundo andar, eu mesma entrava e pegava minha própria chave, como se estivesse em casa.

Não participei das atividades coletivas que o hostel oferece, aulas de tango, walking tour e coisas afins, acho que são legais. Usei a cozinha comunitária, bem equipada e sem regras chatas, se você quiser usar algo no hostel, é só chegar e usar, não é preciso preencher formulários. O banheiro comunitário feminino é amplo e sempre muito cheiroso e limpo. Não chequei o masculino. Também oferecem outros serviços, lavanderia a 15 pesos a sacolinha de roupa.

Bem, acho que é isso sobre o hostel. Adorei a cidade e fiquei muito confortável no meu quartinho de albergue. Dê uma olhada no site lá de cima… Assim que achar o cabo do meu celular te mando algumas fotos!

até, até
tt

PS: no Millhouse as toalhas são alugadas a 5 pesos e dentre as atividades sugeridas estão “aulas de pólo” wtf.

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2 comentários sobre “Hostel em Buenos Aires

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