manhã de 11 de setembro de 2011

Acordei às 10h15, razoavelmente aliviada porque dormi quase oito horas, coisa que não consegui fazer nos últimos dias. Tive, como sempre, aventuras no sonho, agora não lembro o que era, mas pela manhã ainda tinha alguma recordação. No entanto, não foi tão intenso quanto o do dia anterior ou o de antes dele, não estava na praia com meu sobrinho, não estava em outra cidade, ninguém morria. Acho que só dei uma passeada mesmo. Liguei o computador, num e-mail, um amigo relatava o sonho (dele), em que eu tinha aparecido. Eu pintava um quadro de uma pessoa em chamas, e, logo depois, uma pessoa morria em chamas. Lembrei de Cowboys e Aliens, que tinha assistido, e da Olivia Wilde no fogo, me perguntando se esse amigo teria visto também.

O calor anda insuportável então, depois de muito adiar, mudei a temperatura do chuveiro usando um desodorante pra alcançar o termostato. Pensei que a embalagem do desodorante era de metal e que, se houvesse algum curto, eu levaria um choque. Não levei.  Ontem enchi minha banheira que ficou parecendo uma grande bacia de gelo. Enquanto calculava a chance de morte por choque térmico, molhei a nuca, achando que isso atenuava as possibilidades. Ao conseguir deitar na água gelada,as vibrações sutis da corrente intra-banheiriana foram me carregando, me emboiando, até que meu pescoço ficou confortavelmente apoiado numa das extremidades e senti que poderia dormir por ali. Daí pensei na possibilidade daquela corrente me puxar desacordada, eu bateria a cabeça no fundo da banheira e morreria afogada. Não dormi.

O banho  desta manhã estava morno, o protex líquido combinado com aquela esponja de gominhos faz uma espuma boa. É com algum ressentimento que lembro que, na casa dos meus pais, sempre usamos aquelas esponjas vegetais, boas para esfregar, mas que não fazem espuma. Quando compramos uma dessas esponjas de gominhos, ela mofou em pouco tempo. Por conta disso, sempre confiro se a esponja não está mofada. Tinha esquecido a toalha no quarto.

Uma mosca enorme ziguezagueava, maldisse o calor e imaginei quanto tempo antes dos besouros aparecerem. Peguei a toalha e a camisola, me vesti no banheiro, saí para a sala, fui seguida, então a ataquei com o baygon que estava atrás da televisão. Acredito que ela tenha morrido, não nos esbarramos depois. Eram 10h45 quando liguei pra minha mãe para perguntar sobre o horário do almoço e confirmar que minha irmã e sobrinho estariam lá.

Marcado para meio dia, decidi que iria a pé. Vesti calça de caminhada de cotton azul-estranho, a bata que peguei do varal e o tênis anti-impacto. Estava horrível, mas, na minha cabeça, o tênis de caminhada justifica qualquer arranjo fashion. Enrolei. 11h20 decido sair e pensei que não chegaria a tempo se fosse a pé. Já na rua, lembrei que estava vestida para caminhar e pegar ônibus com roupa de ginástica é uma bomba na minha carga de ansiedade.

Calculei que o ônibus que parava na porta de casa, apesar de ser mais vazio (eu poderia sentar em um lugar sozinha e a calça de ginástica passaria despercebida) demoraria horas. Resolvi pegar qualquer um que passasse sem estar lotado. No ônibus, sem lugar para sentar, fui para a parte traseira onde estavam uma meia dúzia de homens-ogros. Fiz algum equilibrismo para achar uma posição em que minha bunda, evidenciada pela calça de caminhada, não pudesse ser olhada por nenhum deles. Fiquei encostada num dos ferros da porta, costas viradas metade pra rua, metade para uma mãe e filha sentadas num canto. A cada pessoa que tinha que descer, dava um jeito de não ter minhas inexistentes nádegas devoradas por olhos famintos. Fiz uma escala mental de asco pelos homens sentados, e, na impossibilidade de evitar todos os olhares, evitava os mais nojentos. Quando uma moça desceu, um dos homens que não estava no topo da escala se curvou para averiguar a bunda da retirante. Maldisse a sociedade mentalmente. Uma menina escutava sem fones de ouvidos os últimos sucessos do hip hop brasileiro e eu tentava lembrar o nome da música.

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manhã de 11 de setembro de 2011

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