Eu e as palavras

Eu tenho medo das palavras. Medo. Medo de tudo que é relativo a elas. Tenho medo que me peguem desprevenida, que me exponham, que me deixem nua na praça. Tenho medo das vogais, das semivogais, das consoantes, dos ditongos, dos tritongos e dos hiatos, princialmente dos hiatos. Tenho pavor de vírgulas e é porque me deixam sem fôlego, a sua falta, ou a sua presença, tenho pavor de vírgulas. Preposições para mim são anônimas sarcásticas, me deixam sem lugar de estar, sem lugar de ir, são inimigas sem cara. Tenho medo que as palavras se unam e de frase em frase façam uma guerra, uma guerra vazia, só de palavras. E, só de estar a sós com elas, minha cara fica pálida, minhas mãos ficam geladas e a miopia que me resta pisca as minhas armas. Tenho medo que as palavras me saiam muito ousadas, tenho vergonha que as palavras me saiam muito erradas. Tenho medo que as palavras me deixem sem dizer nada.  Tenho medo que me dome e seja a última palavra.

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