É só uma música

Eu fui uma adolescente “alta fidelidade”. Hoje, não consigo imaginar o que eu fazia para saber tanto sobre música naquela época em que a internet engatinhava. Não vou dizer que eu ia muito longe, acho que não existia o termo indie na época, mas, com certeza, eu não era isso. Eu sabia tudo sobre tudo que tocava no rádio. Daí, pegava meus artistas prediletos e ia pesquisando sobre as influências deles. Se gostasse de alguma das influências, pesquisava sobre as influências dela, e assim ia formando meu banco de dados musical.

Falando em banco de dados, lá em 98 ou 99, antes de existir uma catalogação tão extensa de todas as letras de músicas ever a um google de distância, eu fiz um banco de dados de letras no Microsoft Access(#geekpride). Programei um painel em que eu podia tanto achar letras que já estavam no meu banco de dados (que nada mais é do que uma tabela), como salvar as letras novas (achadas ou transcritas – nessa época eu até copiava letras de encarte para passar pro computador).  Coloquei na interface de consulta os campos de nome de artista, álbum, ano de lançamento, etc. Digitava o nome da música, apertava enter e voilà, aparecia a letra. Acho que cheguei a fazer um sistema de busca mais complexo também, que procurava música por artista ou por trecho.

Até os 15 anos, ainda peguei o fim da época da mixtape original, na fita cassete. E já troquei mixtapes de bandinhas de riot girls com amigas (depois troquei também muitas mixtapes em CDs gravados com os amigos! – ai que bom ter vivido esse tempo!).

Hoje, no facebook, o Gabriel postou sobre a música Torn da Natalie Imbruglia, surpreso por não ser de fato, da Natalie Imbruglia. Eu também me surpreendi muito! Não sabia, e meu lado ex-grungista me fez gostar mais da versão original da música:

Em alguns comentários no clipe do youtube, vi que tinha gente reclamando que as pessoas não procuram “na Wikipédia” para se informar, que era absurdo tanta gente não saber que essa era a versão original. Me perguntei se esses comentadores viveram a época em que Torn tocava de meia em meia hora no rádio, na época em que nossas informações sobre as músicas vinham de revistas e da MTV. Natalie Imbruglia era dificilmente uma artista de quem eu compraria um cd em que viria a informação de autoria da música – mas tinha Torn e Wishing i was there gravadas em fitas, direto do rádio (que bom ter vivido isso [2]).

Em um comentário no post do facebook, alguém comentou sobre You’ve got the Love da Florence and The Machine, que era uma regravação de uma música gospel. Esse é o tipo de informação que, se eu tivesse 13 anos, eu saberia. Fui procurar a versão gospel, e achei essa daqui:

Nos vídeos relacionados, achei algo que que me trouxe de volta de vez aos 13 anos:

Quem escuta essa música e não se lembra instantaneamente do Romeu e Julieta do Leonardo diCaprio? Essa música me proporciona quase a mesma onda de endorfina que uma paixão adolescente. Para quem não é da época:

E, no meio dos livres corações jovens, lembrei que tenho que escrever sobre minha paixão por Romeu e Julieta, mas vai render e vou deixar pra outro post.

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É só uma música

Um comentário sobre “É só uma música

  1. se deus existe, só ele sabe o tanto de música que transcrevi nessa vida também. e/ou traduzi. e o tanto de clipes que gravei em vhs e músicas do rádio em k7. bons tempos. hoje é tudo mais fácil e é melhor assim, mas de vez em quando ainda rola uma crise de “nunca mais vou ter a sensação de ouvir o cd pela primeira vez sentado no chão lendo o encarte?”.

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