Ônibus em BH

Hoje fui num (na metade de um, na verdade) workshop sobre mobilidade urbana em que a BHtrans fez uma apresentação. Nela, foi apresentado um resumão sobre os planejamentos  de BH para a copa de 2014 e algumas projeções para até 2030. Fiquei empolgada com o assunto e fui ver o que estava disponível online sobre esse planejamento – quem tiver interesse, tem muitos dados divertidos nesses arquivos daqui.

É bonito ver previsões tão boas como, por exemplo:entre 2010 e 2012 os ganhos para os usuários de transporte público estarão próximos das estimativas projetadas para o Cenário Copa 2014 uma vez que quase 80 % das intervenções propostas para o sistema coletivo público já deverão estar concluídas (aqui).

Que medo. Mas é tanta coisa para ser comentada desses relatórios, que vou dividir a discussão em mais alguns posts, por aqui vou tratar apenas da apresentação.

Por lá, foram citados dois números que achei bem interessantes. O primeiro é que, atualmente, apenas 4,5% das viagens de ônibus em BH sofrem algum tipo de atraso, o que é considerado um índice bom. Eu fiquei surpresa, afinal, comparando o tempo em que eu fiquei no ponto com a freqüência de saídas do ponto final, muito mais de 4.5% das vezes em que eu precisei pegar um ônibus, ele atrasou para chegar – e olha que eu normalmente pego linhas mais centrais. Para entender direito de onde vinha esse 4,5, precisei de mais duas informações: 1. o controle é feito pelo sistema de cartãozinho do bhbus, com integração ao banco de dados deles; 2. as companhias que são donas das linhas são multadas quando há atraso.

Tudo é bonito no papel

Eu sempre me perguntava por que, em determinado ponto da corrida, num sinal fechado mais demorado (longe do ponto final) o cobrador registrava um cartão próprio, que, em outras ocasiões, eu via sendo passado no ponto final. Na palestra, caiu a ficha de que provavelmente esse é um meio de fraudar a contabilização dos atrasos. Para mim, existem dois cenários possíveis: ou as companhias de ônibus que recebem multas por atraso repassam essas multas aos condutores, e eles fraudam o sistema para não sofrerem represálias ou perderem dinheiro; ou as próprias companhias estimulam a fraude. De qualquer forma, repassar a multa aos condutores e cobradores é de uma injustiça tremenda, já que a maior parte dos atrasos é causada por fatores que fogem do controle deles – o trânsito sendo o maior deles.

O outro número apresentado era também aparentemente bem feliz: 85% das viagens nos ônibus são feitas dentro dos padrões de lotação estabelecidos! Yei! Porém, enquanto o 4,5%  lá de cima era realmente um número pequeno, 15% de ônibus superlotados não me parecia uma boa notícia. Mas ok, 85% estavam dentro dos padrões, e, com relação a esses 15%, mudanças estavam sempre em curso para adequar a disponibilidade da linha e blábláblá. Quase fiquei aliviada com as boas novas, até que ouvi o que é considerado um padrão aceitável para lotação em ônibus:  5 SERES HUMANOS POR METRO QUADRADO – diante da surpresa do público, foi levantado que é uma quantia até menor do que a considerada para o metrô, por exemplo (dei uma pesquisada de nariz aqui e parece que, no metrô do rio, a lotação é de 6 pessoas por metro quadrado).

Showzaço no busão, só que não. (imagem daqui)

Eu costumo ter um grau de aceitação enorme para falhas do “sistema”, sempre tendo a acreditar que medidas estão sendo tomadas para que se melhore as condições e é só ter um pouco mais de paciência. Mas esse número oficial da lotação me fez perceber que não importa se for instalado o BRT ou o metrô. Ainda vai ser considerado normal que cinco pessoas tenham que dividir o mesmo metro quadrado durante percursos que, a trancos e barrancos, duram muitas vezes mais de uma hora – e daí vem também a outra discussão que foi levantada na apresentação, por outro cara, “por que mudanças no transporte público não vai diminuir o número de carros nas ruas”. Fica pra outro post.

Observação: vou tentar confirmar esses números em outras fontes, estou com uma leve desconfiança que possa ter trocado um pelo outro – mas quase certeza que são esses mesmos!

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