One day (um dia)

“Everyone is Lost at 25″…”No, you’re not!”

Dos livros que li em 2011, lembro, quase exclusivamente, apenas do que considerei o mais marcante: One Day (Um dia) do David Nicholls. A leitura aconteceu antes de eu virar a louca do ebook na Amazon. Na época, baixei o livro pirata. Uma coisa engraçada no ebook pirata é que ele tinha um erro que fazia todas as palavras com o “L” duplicado ficarem separadas no meio e perderem um dos L. Era a versão em inglês, então isso acontecia com muita frequência, por exemplo: spelling virava spel ing. Hoje, em mais uns dos meus passeios terapêuticos por uma livraria, vi que o Um dia ainda continua na parte dos mais vendidos e fiquei tentada a comprar. Decidi que iria comprar o ebook mesmo, em inglês, vai valer a pena dar esse dinheirinho ao autor.

O livro conta a história de um casal de amigos, a Emma e o Dexter, que passam uma noite juntos, no dia da formatura, mas não fazem sexo e acabam virando best friends forever. Acompanhamos, então, os vinte anos dessa amizade, que, claro, tem toda uma tensão romântica. O que torna o livro especial é a forma como a história é contada: a cada capítulo, é descrito o que está acontecendo no aniversário do dia em que eles se conheceram, 9 15 de julho, durante duas décadas.

Antes de lê-lo, vi uma resenha mal feita falando que o livro era história de um casal que se encontrava uma vez a cada ano (peguei para ler esperando isso). E não era. O dois desenvolvem a amizade de forma normal, com épocas em que convivem mais, outras em que convivem menos. Durante quase todos os relatos, o autor não tenta driblar a proposta de narrar os acontecimentos de um só dia, e não se alonga na introdução do que aconteceu durante o ano que passou. É claro que várias vezes muitas coisas importantes acontecem, coincidentemente, naquele dia. Por outro lado, o acontecimento romanticamente mais aguardado, digamos assim, não acontece, e temos que nos contentar com um breve relato em um 9 15 de julho posterior.

Tenho um problema de ansiedade. Se começo a ficar nervosa com a expectativa do final de um livro, eu leio o último capítulo antes de terminá-lo, para ficar tranquila e conseguir ler o resto (sim, doente). Quase sempre busco o máximo de informação antes de começar a ler. Nesse caso, não foi preciso recorrer à minha maluquice.  A história é muito ágil com essa dinâmica de acompanhar os personagens ano a ano. Outro ponto alto do livro são as referências culturais na caracterização dos personagens, ou na própria ambientação. Acho que todo mundo com vinte e tantos ou trinta e poucos anos vai se identificar em algum ponto da história.

Se a trama é bem consistente e cativante, o final também não decepciona. Lá pelo último terço do livro, já dá pra perceber que algo trágico vai acontecer. Chorei no momento em que percebi  e, quando aconteceu, tive que fechar o livro e tomar água  pra conseguir parar as lágrimas e soluços escandalosos.  Continuei chorando, mais comedida, nos últimos capítulos, e chorei antes de dormir no dia em que terminei a leitura. Impactante assim.

Não é usual que eu goste tanto de um romance água com açúcar como esse. Acho que o que me fez gostar de Um dia foi a identificação que senti com a Emma, e, com certeza, SPOILER deve ter sido por conta disso que fiz o dramalhão com os últimos capítulos /SPOILER. O livro teve uma sincronia impressionante com o momento em que eu estava lendo, num domingo chuvoso às quatro da tarde, cheguei à seguinte passagem que era exatamente o que eu sentia (vou transcrever com o erro do duplo L):

Occasional y, very occasional y, say at four o’clock in the afternoon on a wet Sunday, she feels panic-stricken and almost breathless with loneliness. (One day, location 1758)

A Anne Hathaway fez a Emma na versão cinematográfica da obra. Achei uma escolha muito acertada. Assim como o Jim Sturgees fez um ótimo Dexter. No entanto, não recomendo a ninguém assistir ao filme antes de ler o livro. Primeiro porque o roteiro não está bem amarrado, e, pelo menos da vez que assisti, vi muita gente reclamando que o filme não fazia sentido – o livro tapa todos os buracos deixados. Depois, nessa de fazer um filme com a história toda, esconderam tanta coisa sobre a Emma, que a construção da personagem ficou defeituosa. Parece que ela é uma bobinha apaixonada o tempo todo, o que não é o caso da personagem com a qual me identifiquei. Mas, se você for assistir com o livro já lido, vai valer muito a pena pra dar caras aos personagens que nos fazem companhia durante as horas de leitura (e, se for como eu, vai chorar logo nos primeiros minutos de exibição). Depois dá pra ler Um dia de novo. E assistir ao filme de novo também.

One Day, David Nicholls

Bem escrito?  *****
História boa? *****
Fácil de ler?   *****

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Extras

Trailer

Então vamos cantar todo mundo junto e pensar na vida?

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