Paris, je t’odeio (parte 2)

Saída da estação – fotos do google, as da minha máquina estão temporariamente indisponíveis.

O ônibus chegou em uns  quinze minutos, tempo o bastante para que eu achasse que estava demorando, mas, ao olhar no relógio, considerasse razoável. Na hora em que o orlybus finalmente abriu as portas, já tinha mais uns cinco ou seis companheiros de ponto, todos mais velhos, aparentemente locais, com malas de viagem de fim de semana. Não havia mais lugares vagos para se sentar e eu me acomodei ao fundo do ônibus que era daqueles maiores, com repartições sanfonadas. Ali, como no metrô anterior e no metrô do Porto, não havia a figura do cobrador, e nem controle direto de quem pagava ou não. A maquininha estava lá, pagava quem quisesse. Fiquei aliviada ao ver que o meu ticket de três dias já estava funcionando, ao mesmo tempo em que comecei a paranoiar sobre perdê-lo. O ticket era bem pequeno, como se fosse um ticket de viagem normal, com aquela listrinha preta no meio, nível máximo de perdabilidade para quem já estava na terceira via da carteira de identidade.

A viagem foi tranquila e agradável, passando por casinhas estilinho subúrbio, bem bonitinhas, mas, depois de algum tempo, enjoativas. O ônibus chegou a lotar um pouco mais e eu continuei em pé por quase todo o tempo – numa das oportunidades que tive de sentar, cedi o lugar para uma moça mais velha, que me retribuiu um ‘mercy’ surpreso e sorridente. Eu estava achando o pessoal de Paris gente boa toda vida e, até o final da viagem, não consegui saber de onde vinha a fama de mal das pessoas por lá; não foi essa, definitivamente, a causa da minha implicância.  O ônibus tinha o mesmo sistema que já tinha visto na odiosa viagem de busão no Porto (da parte da história que ainda falta contar): anunciava, num display, qual seria o próximo ponto – uma ideia simples, de fácil execução e bem útil para turistas, não sei se algum ônibus no Brasil oferece essa opção.

Denfert Rochereau era o ponto final, todo mundo desceu e eu me preparei para aprender a etapa subterrânea do meu caminho. Em frente ao quadro com o mapa do metrô, compartilhei a cara de dúvida com mais dois turistões, que dedilhavam as centenas de linhas entrecruzadas. Eu iria parar na estação Rivoli-Louvre e foi fácil decorar o acesso, acho que tive que fazer apenas uma baldeação no final das contas. Quase todas as estações de metrô tinham nomes de lugares turísticos, o que confirmou minha expectativa de que seria fácil andar por Paris in a turistona way. O metrô e as estações de metrô do caminho estavam feios, sujos e mal conservados, comecei a implicar com a falta de escadas rolantes, se estivesse com uma mala maior, teria sofrido muito para chegar ao meu destino.

Pontinho A – onde o hostel estava, o azul é a entrada do Louvre (M da esquina – estação de metrô em que eu desci)

Saindo da estação do Louvre, tive o meu primeiro choque arquitetônico com Paris. Grandes construções, que pareciam todas de prédios governamentais (ou governamentais de alguma época), me cercaram por todos os lados. Fiquei emocionada, me sentia minúscula perto daquela imensidão de palácios. Boquiaberta, comecei a procurar o caminho do hostel. Teria que achar a Rue Du Louvre e, logo depois, a Jean Jacques Russeau.  Eu tinha escolhido o hostel com base na localização e no preço; o Bureau des voyages de la Jeunese (BVJ) não estava disponível em nenhum site de reserva de hostel e só tinha resenhas ruins pelo google. Por 30 euros a noite do lado do Louvre, eu estava disposta a arriscar.

Andando meios quarteirões, já dava pra perceber que aquela área da cidade estava cheia de obras e isso atrapalhava a movimentação – lembrava a Belo Horizonte que eu tinha deixado, em plena reforma da savassi. Depois de cinco minutos em meio a prédios/palácios cada vez mais iguais, começava a enjoar da paisagem e ficar desesperada para achar a rua, que deveria estar lá! A primeira (?) pegadinha da viagem: assim como aqui em BH, as ruas por lá começam com um nome e depois ganham outro. Assim, a tal da Rue du Louvre era Rue du Louvre a partir do momento em que se atravessava para o quarteirão que não era o Louvre. Sério? Sério. No quarteirão do palácio/museu ela se chamava, traquinas, Rue de l’Amiral de Coligny. E eu, que tinha descido na esquininha contrária, bem em frente ao Louvre, estava procurando a rua onde ela não existia. Ok, algum tempo depois, achei a Rue du Louvre e lá fui eu procurar a rua do hostel, que, segundo informações no site, era uma das que cruzavam. Pegadinha número dois: a rua do hostel não cruzava a rue du Louvre diretamente, tinha uma pontinha de outra rua antes. Depois de ir e voltar alguns quarteirões, pedi informação num hotel e, graças a deus, a Jean Jacques Russeau estava logo ali, na segunda direita.

Foto de divulgação do hall de entrada do hostel.

Já era duas horas da tarde quando cheguei ao BVJ, em que tinha marcado de chegar ao meio dia. O lugar era grande, com um portãozão bem estiloso, e ligeiramente parecido com a foto no site. Para minha sorte, o checkin de lá era feito a partir das duas e meia e ainda tinha vagas – o hall de entrada estava praticamente vazio. A moça me deu o formulário de preenchimento e fui toda feliz pagar pelos meus dois dias de reserva. Ela só quis aceitar o pagamento do primeiro dia, me avisando: “é melhor que você pague só um dia e o outro, se quiser continuar aqui, você paga amanhã! Caso não goste do hostel, é mais simples…” . QUEM NO MUNDO PARTE DO PRESSUPOSTO DE QUE O HÓSPEDE NÃO VAI GOSTAR DA ESTADIA. Achei engraçado e me senti um pouco em um filme de terror. Torci para que não tivesse pulgas na minha cama.

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Paris, je t’odeio (parte 2)

2 comentários sobre “Paris, je t’odeio (parte 2)

  1. Só para conhecimento: em BH existem ônibus em que a bustv é um display te avisando a hora, em qual rua você está e qual é a próxima parada do ônibus. É realmente muito útil quando você está indo a um lugar em que nunca foi. Você provavelmente já viu alguns pontos em que existem uns displays no topo das casinhas avisando quanto tempo demora o próximo ônibus. Eles existem… em pouca quantidade… mas existem.

    1. Já tinha visto a bustv, mas não com os informes, que bom que já tem! Os displays estão em teste ainda, mas devem ser ampliados para o resto de bh “até a copa” haha (na palestra da bhtrans falaram sobre isso, mas principalmente para utilização no BRT, pq parece que não está sendo muito exata a previsão dos que estão instalados).

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