Como mandar um currículo para estágio

Apesar de não ser da área de RH, já fiz algumas seleções para profissionais e muitas seleções para estagiários na minha área (comunicação). Aqui, vou deixar reunidas as dicas (baseadas apenas na minha experiência pessoal de receber currículos ruins) para quem esteja mandando currículos por aí,  em especial para futuros estagiários, espero que ajude um pouco!

Na hora de enviar o e-mail

1. A menos que te peçam o contrário, envie seu currículo em PDF

Em alguns casos, é pedido que o currículo esteja no corpo do texto do e-mail. Para todos os outros, não envie seu currículo em documentos Word, faça um pdf (clique aqui para saber como).

2. Nomeie o arquivo e o e-mail de forma útil

Preste atenção às regras da vaga: muitas vezes será pedido que se nomeie o arquivo ou o assunto do e-mail de alguma forma específica. Para todos os outros casos, procure colocar informações úteis no nome do arquivo, exemplo:

CurriculoNomeVagaAno.pdf = CurriculoTerezaComunicacao2012.pdf

Se a empresa não tiver uma organização boa, você diminui as chances de ter seu currículo perdido e nunca avaliado.

O assunto do e-mail também é de grande ajuda, sugiro: Vaga de estágio Tal – Currículo de Nome da Pessoa Completo.

3.       Envie seu currículo individualmente a cada e-mail contratante

Nada de enviar seu currículo para todos os rhs do mundo ao mesmo tempo.

Se quiser mesmo fazer isso, use a função cópia oculta (bcc). Já aviso que isso também não funciona, todo mundo vai sacar que você não tem interesse específico na vaga ofertada, ou em trabalhar na empresa em questão.  Na maior parte das vezes, seu currículo vai para o lixo (isso quando ele não for classificado como spam, o que quer dizer que, muito provavelmente, quando você realmente estiver interessado na empresa, seu currículo pode ir pra caixa de spam novamente).

4.       Evite o excesso de formalidade

Se você está querendo uma vaga para estágio, em 99% dos casos, você não é uma pessoa muito formal, então evite o excesso de formalidade. O que não quer dizer ser informal: seja educado, objetivo e nunca abuse da intimidade com o desconhecido do outro lado:

Exemplo de e-mail que gosto de receber:

Bom dia, envio anexo o meu currículo para a vaga tal. Aguardo confirmação de recebimento, obrigada!

Assinatura (se possível, coloque sua formação “graduando de tal curso” e telefone de contato na assinatura)

No limite da formalidade:

Prezados,

Envio meu currículo anexo para fins de avaliação para a vaga tal. Se possível, confirmar o recebimento deste e-mail.

Atenciosamente,

Evitar:

– “Prezado recrutador,”

– Colocar no corpo do e-mail só “Currículo anexo.”, ou enviar em branco.

– “To enviando o currículo pra vc dar uma olhada! Se gostar me liga! Abração!”

–  Colocar informações que devem estar no currículo. Se quiser enviar um parágrafo demonstrando interesse na vaga, não deixe de colocá-lo também no currículo. Para análise e acompanhamento na entrevista, normalmente será impresso/armazenado o arquivo anexo, então as informações no corpo do e-mail podem se perder.

5.       Se não recebeu confirmação de recebimento depois de dois dias, ligue para a empresa e pergunte se eles receberam seu currículo.

Demonstrar interesse na vaga não vai diminuir o interesse da empresa por você. A menos que haja uma funcionária vingativa no RH que esteja de saco cheio da vida e decida jogar fora o currículo daquele candidato que a fez atender o telefone, mas acho difícil.

Já chamei para entrevista (e vou chamar novamente dessa vez), alguns candidatos a estágio EXCLUSIVAMENTE pelo fato de que demonstraram interesse, já que seus currículos não se destacaram (e não eram ruins também). Não garante contratação, mas demonstra um pouco mais sobre você e sua desenvoltura social – é importante ser bem sensível e educado na hora de perguntar sobre o recebimento, não fale “eu pedi confirmação e ninguém respondeu”, você estará chamando a pessoa que recebeu de incompetente!

Informações dentro do currículo

1.       Língua Portuguesa

Erros de ortografia e concordância são motivos instantâneos (e desnecessários) de antipatia pelo seu currículo. Evite-os.

2.       Não se esqueça do básico

Não se esqueça de colocar o básico no texto: informação de contato incluindo seu nome, e-mail e telefone, instituição em que cursou ou está cursando o ensino superior, o período em que está (no caso de estar cursando) e previsão de ano/semestre de formatura.

3.       Apresente um currículo coerente com a vaga

Isso vai além de “se você quer um estágio em administração, esteja cursando administração”. Se, por exemplo,  você quiser um estágio como designer, faça seu currículo como um designer! Enfeite! Desenhe! Não exagere, mantenha a estrutura de dados (formação, experiência, conhecimentos), isso ainda é um currículo e não o portfólio, mas faça algo diferente. Uma coisa importante na hora de inovar sem exagerar é lembrar que provavelmente seu currículo será impresso, então mantenha o tamanho A4 (ou amigável) e evite fundo completamente colorido ou cores claras para texto.

4.       Não minta

Se você ainda não concluiu um curso de graduação ou pós-graduação, não fale que concluiu. Se você não tem segurança na utilização de determinado software, não fale que tem. E assim por diante. Mentira tem pernas curtíssimas e, se for além da entrevista, pode te causar uma experiência de demissão ainda em período de experiência bem pouco agradável.

5.       Faça um parágrafo de apresentação e demonstração de interesse específico para a vaga

Prepare um parágrafo (uns 300 caracteres, o tamanho DESTE parágrafo) em que fale sobre o seu interesse na vaga em questão. Ressalte as características da empresa com as quais se identifica. Quando for para um estágio, é legal ressaltar o que você espera aprender na empresa. Mas, voltando ao item anterior, NÃO MINTA e não force a barra.

6.       Apresente o máximo de informações em tópicos

Dispor as informações de maneira objetiva é uma forma de torná-las mais acessíveis para quem está analisando o quadragésimo currículo. Procure organizar os seus tópicos por data, quando cabível.

7.       Não enrole

Não encha seu currículo de informações inúteis. Coloque os cursos que realmente valeram a pena, em que aprendeu coisas que aplica atualmente e são relevantes para a vaga, e certificados reconhecidos, como em línguas estrangeiras por exemplo.

Em muitos casos, as habilidades são representadas com mais eficácia pelos resultados, então, se você fez um curso rápido na esquina e como resultado apresentou um artigo tal em tal evento (mesmo que seja um evento feito por duas turmas da sua faculdade), coloque a “apresentação do artigo tal realizado como conclusão do curso tal, em tal evento” em “experiência”, em vez de colocar o nome do curso lá embaixo, nos “conhecimentos”.

Minha experiência pessoal: o que mais me chama atenção num currículo para estágio são as atividades que demonstram iniciativa, como estágios anteriores, programas voluntários, apresentações em eventos acadêmicos, grupos de pesquisa e projetos pessoais (mesmo que não tenham grande alcance).

Quanto às habilidades, tendo a confiar mais na experiência e até na palavra de quem está tentando (“conhecimentos avançados em word”) e ignorar completamente a lista grande de cursos realizados e certificados – a gente sabe como existem cursos picaretas no mundo. No caso de profissionais, a avaliação recai mais sobre os resultados comprováveis e sobre indicações de conhecidos do que sobre qualquer outra coisa.

8.       Tome cuidado com sua imagem pública

Eu sou o tipo de pessoa “recrutadora” (haha) que, se me interesso pelo currículo, vou ao Google e ao facebook, digito o nome completo da pessoa e analiso o que aparece. Se não aparecer nada de relevante, procuro pelo e-mail e se, novamente, não aparecer nada de interessante, eu começo a achar estranho que a pessoa não tenha nenhum perfil público.

Ter algum perfil (mesmo que seja somente o do linkedin) público e com informações pessoais que agreguem ao que foi apresentado no currículo é ótimo. Mas não ter controle sobre informações que podem ser negativas para o seu empregador é perigoso.

Exemplo: recebi na semana passada um currículo para estágio, procurei o nome da pessoa e o primeiro resultado da pesquisa era uma macumba feita no site “macumbaonline” em 2010, em que era pedido para a pessoa deixar de ser bebum.  No caso aqui do escritório, não é um ponto negativo, mas, num jornal de uma igreja evangélica, pode ser.

Portanto, faça o caminho inverso agora mesmo, procure seu nome e seu e-mail no Google e veja o que aparece. Apague o que acha que não deva ser público e, se não tiver controle sobre algum conteúdo, converse com amigos que postaram para que apaguem. Em alguns casos, vale a pena entrar em contato com a administração de sites que tenham conteúdo indesejado, que não dê para você apagar (comentários em blog, por exemplo). Mas, de agora em diante, sempre que possível, não deixe rastros dessas brincadeiras online: não publique seu e-mail em comentários, evite a todo custo usar seu nome completo em coisas que talvez não agreguem à sua imagem profissional e pense sempre no futuro.

9.       Se for colocar link pra rede social no currículo, que o perfil tenha algo de interessante

Algumas pessoas facilitam meu trabalho investigativo e colocam perfis de redes sociais no currículo. Porém, quando chego no link fornecido, o conteúdo é todo privado. Portanto, se não for para uso profissional (e por profissional entendam algo mais amplo, muitas coisas que demonstram nossa personalidade são importantíssimas profissionalmente), não coloque seu perfil no currículo.

10.   Tudo depende de quem vai avaliar o seu currículo

Vou explicar só com o exemplo: eu sou uma pessoa simpatizante das milhares lutas por igualdade de direitos. Acredito que o que está por trás do requisito “boa aparência” ou “boa apresentação” e do pedido de foto no currículo, na maior parte dos casos, são preconceitos contra pessoas negras, mais velhas, de cabelo cacheados, gordas e/ou deficientes.

Ao receber currículos, considero como ponto negativo quem envia fotografia. Essa sou eu. Tenho consciência de que seleções em outras empresas podem levar a fotografia em consideração, mas, também tenho consciência que, em quase todas, as fotografias, principalmente de mulheres, são alvo de comentários machistas.

Colocar sua foto no currículo demonstra que você quer trabalhar num lugar em que a sua apresentação da forma como está na foto seja valorizada e talvez demonstre que sim, você acha relevante que o lugar considere o seu cabelo e seu corpo na hora de contratá-lo e de contratar seus colegas.

Nos casos em que eu fiz seleção, espero o momento da entrevista para avaliar se as qualidades de apresentação da pessoa estão de acordo com as expectativas da vaga (sim, existem casos em que a pessoa deve se portar de tal maneira, mas nunca uma foto vai me dizer isso – a foto só me informa se a pessoa é branca ou preta, gorda ou magra, bonita ou feia).

Na entrevista

1.       Pesquise previamente tudo o que há para saber sobre a empresa que está contratando

Como você pode estar interessado em algo que você não sabe o que é? Pesquise sobre a empresa, vá no site, levante dúvidas que você tenha e que possam ser respondidas na entrevista.

Quer ir ainda mais fundo, mesmo sendo ‘só’ um estágio? Pesquise sobre o mercado dessa empresa, os clientes potenciais, qual é o momento econômico, quem está crescendo, quem está caindo, tente fazer uma análise sobre os rumos que a empresa deve estar tomando, porque eles estão contratando para essa vaga (pesquise se estão com outras vagas abertas), etc.

Isso servirá para que você fique mais confiante, mas evite falar de coisas sobre as quais não tem domínio na entrevista. Então, mesmo com a pesquisa feita, só levante assuntos mais aprofundados se tiver certeza. Na maioria das vezes, essas pesquisas vão te inserir na conversa, e, se o avaliador comentar: “porque neste momento, a empresa está indo para tal direção, então precisamos contratar tal pessoa…”, você poderá fazer um comentário no estilo “é, li tal coisa sobre isso, e acho que como estagiário dessa área, poderia fazer tal e tal coisa, com tal e tal conhecimento/experiência” (ah! Se a vida fosse fácil assim).

2.       Sempre leve algo para mostrar

Sempre. Sempre. SEMPRE. Leve um pendrive com seu portfólio, leve sua pasta de coisas impressas, leve a carta de recomendação de um professor, leve o trabalho de pesquisa que foi aprovado com honras na área em que você quer estagiar, leve foto do seu cachorro, leve o jornal de bairro em que sua matéria foi publicada, leve a pasta com os certificados que você colocou no currículo. “Mas eles não avisaram que era pra mostrar o portfólio ou qualquer outra coisa”. ISSO ESTÁ SUBENTENDIDO QUANDO TE CHAMAM PRA ENTREVISTA. A chance é grande que você tenha oportunidade para mostrar algo e agradar.

 3.       Sempre faça uma pergunta (relevante)

Fazer perguntas demonstra desenvoltura, interesse e algum senso de iniciativa, mas nada de inventar uma só para parecer interessado. Se você fez sua pesquisa anterior, você provavelmente deverá ter alguma dúvida sobre algo da empresa ou do cargo. Se tiver dúvida sobre remuneração e benefícios, pergunte. A última coisa que vão falar na entrevista é: “você tem alguma pergunta?”. Tenha (mas também não alugue seus futuros empregadores com milhares de dúvidas).

4.       Seja, novamente, coerente com você mesmo e com a vaga que quer

É comum que as pessoas estejam procurando vagas de estágio apenas pela remuneração ou para ter uma primeira experiência, sem ter muita noção para avaliar se aquele é o lugar/função em que quer estar. Mas procure ser coerente com a vaga que está buscando e também com você mesmo. Então, se o estágio é num banco, não chegue na entrevista com quinhentos piercings no rosto. Se você acha que vale a pena arriscar, ou se você não está disposto a abrir mão de certas coisas (piercings, tatuagens, calça jeans) e quer trabalhar num ambiente em que suas habilidades contem mais do que o enquadramento em tal estética, arrisque e tente mudar o mundo. Muitas vezes não vai dar certo. Algumas vezes vai.

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Extra

Quando era estudante, com esse meu jeitinho mulamba de ser, fui numa entrevista de estágio, sem querer, com uma camiseta que remetia à piada da menininha pro Silvio Santos “E o bambu?” (assista aqui). Só percebi na metade do caminho e fiquei morrendo de medo de que  reparassem e me reprovassem por conta do humor escrachado e da óbvia falta de preocupação com minha apresentação naquele momento. Mas a seleção foi bem mais descontraída do que eu imaginava, apesar de nem repararem na camiseta divertida. Acabei conseguindo a vaga e, ironia do destino, atualmente, o escritório da empresa em que estagiei é todo decorado com bambus.

O nervosismo pode atrapalhar bastante num processo seletivo, mas, na maioria das vezes, não dá pra controlar. Então tente se sentir confortável sendo você mesmo, em uma crise de nervosismo! Uma experiência pessoal minha aqui.

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