Fabíola

A Fabíola não estava nos planos. Ela era o inesperado, e eu, ali, um inespero, um inesdesespero. Eu nunca tinha visto o rosto da Fabíola e acho que me surpreendi positivamente com aqueles olhões azuis. É meio injusto culpar a virtualidade por essa mania de reconhecer o desconhecido… Como se antes não se seguisse qualquer moça de longe numa sorveteria (a Fabíola escolhe o napolitano por opção, e não falta de) ou na praça (a Fabíola não gosta de árvore). Ela estava logo na minha frente, esperando pra passar na roleta.  Reconheci pela tatuagem de ideograma japo-chino-whatever na nuca, da foto do perfil. Num bocejo malacabado, o trocador entrega o troco pra Fabíola e uma moeda cai no chão. Ela calcula se vale o constrangimento de agachar com o ônibus lotado. Eu vou ao chão mais rápido que o pensamento dela, porque valia a pena pegar até um centavo, se fosse pra entregar pra Fabíola.

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