A Maria

O sangue escorreu quente pelo braço e, sentado na cadeira que dá de frente à janela posta de frente à rua, avalio o estado geral do meu corpo putrefato. Feridas escancaradas em um coração meio ridículo. Meio ridículo porque ama pelas metades, e tudo o que ama, mesmo que pelas metades, não tem por vontade outra senão a de ser ridículo. Avarias já foram muitas nesta estrada percorrida, e continua ali, arma em punho, pronto para abater um mais próximo, que se aproximar, que se distanciar, que não esboçar o menor interesse.

Ai, que coração estúpido, ai que vida patética, ai que calor dos infernos, e essa morte que demora mais do que o próximo dia. A Maria mastiga sem parar um bolo imaginário. Ela observa como andorinha assustada a rua deserta, não sei se é desespero, mas não me olha por nem um segundo. Pesa disso a impressão de que eu já parei de existir e o que eu sinto é uma ilusão de nada, do nada. A Maria grita por socorro. É alguém que chega, mas não dá tempo de ver quem.

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