Pelo erro de cálculo

Há mérito na inexatidão. Ah! Como são bonitas as margens de erro! O que é incalculável me atrai mais que números quadrados. E tudo aquilo que é muito longe ou quase lá está mais perto de mim do que o que se encontra fincado a 8 quarteirões e 43 metros. A rebeldia das medidas me encanta mais do que a dureza da fita métrica. Na contra-mão daqueles que se pontuam pelo relógio, sigo convencida de que a inexatidão é a única habilidade que nos permite chegar às 22h22 a qualquer destino numa sexta-feira adiantada. Contando quilos, centímetros, pessoas e avenidas, tentamos nos convencer de que há algum controle na metafísica. E não há. No meu mundo, não há dois com dois que não dê pra cinco, seis, oito. E não há dez quilômetros que não sejam sentidos muito mais na ida do que na volta. Os cálculos exatos, as horas corretas, as verdades inquestionáveis, são todos contra o amor. Deixemos os centavos para os fracos e vamos nos jogar nos arredondamentos (para mais), que só assim o sorriso do garçom aumenta, o aniversariante paga menos e sempre sobra troco pro chocolate.

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