Templo do Tigre – Bangkok

Este é o primeiro post da série É uma cilada, Bino – turismo errado em Bangkok

Bangkok é uma cidade feita para acomodar o turismo. Quer passar as férias mais fáceis da sua vida? Vai pra lá. Acha que a Tailândia é um destino exótico cheio de mistérios? Só se for em filmes. A cada cinquenta metros, uma agência de turismo se oferece para te levar pra todos os lugares, ilhas e praias, no conforto de uma van com ar-condicionado e a preço de banana – almoço incluso.

E, como em todo lugar tão turístico, programa de índio é o que não falta! E assim começo minha aventura:

O Templo do Tigre

Ai Jesus. Como estou selvagem hoje.
Ai, como estou selvagem hoje neste cenário pré-fabricado.

Em um lugar longe, muuuito longe, a duas horas e meia do centro da cidade, uma grande área de preservação natural abriga o Templo do Tigre. A criação que começou em 1999 quando abandonaram alguns filhotes de tigre com um monge budista, agora tem uma população de mais de 100 felinos e, para sustentar o templo e continuar com o trabalho de preservação da espécie, os monges os utilizam em atrações diversas.

Ao chegarmos, nosso guia muito expressivo, que intercalava dados históricos com piadas constrangedoras, nos deu essa primeira introdução e, em seguida, nos levou até o portão principal, onde nos abandonou, cantarolando uma trilha sonora de suspense. Eu, que estava ali única e exclusivamente pra tirar uma foto e mostrar pro meu sobrinho, já imaginava as manchetes “Brasileira desavisada é atacada por tigre na Tailândia” – e os pensamentos de desaprovação dos leitores “mas também, pra que foi se meter com tigre”.

Não muito longe dali, podíamos ver uma meia centena de porcos selvagens e alguns antílopes correndo. Eles eram as refeições dos tigres que, eu imaginava, deveriam estar por perto. Depois de caminhar (com o c* na mão) uns 400 metros em uma paisagem de savana africana tailandesa, encontramos um segundo portão, que levava para outra área indefinida, onde, de um lado ficava uma casinha com banheiros e, mais a frente, placas com indicação de para onde seguir. Subindo um morrinho, damos de cara com… Uma ladeira e, no final da ladeira, estão localizados…

Calculando o coeficiente do potencial para arrependimento da ação.
Calculando o coeficiente do potencial para arrependimento da ação.

… Os tigres. Dentro de uma área isolada. Eles ficam relativamente soltos, não estão dopados e vestem coleiras que os monges podem, na medida do humanamente possível, controlar. Mas ficam restritos numa área com grades. A paisagem selvagem anterior era pegadinha.

Estagiários australianos, que em nada lembravam monges budistas, explicaram o esquema: temos que deixar todos, TODOS, os nossos pertences numa banqueta sem o mínimo de segurança, que amontoa bolsas de todo o mundo fora da jaula, e levar apenas a máquina fotográfica para uma fila. Só é permitido tirar fotos individuais guiadas pelo preço que pagamos (600 baths), se quisermos fazer fotos em dupla ou grupo, precisamos pagar mais. Para colocar a cabeça do tigre no colo, temos que pagar mais um pouquinho. Dar mamadeira pra filhote então, é quase o preço de uma nova entrada (500 baths). A versão “com emoção”, de brincar com tigres selvagens dentro de um ringue, era bem mais cara – se quiséssemos arriscar nossas vidas, é claro. Eu não queria, aliás, não queria nem estar ali naquele momento.

Dedo do monge, decorativo.
Dedo do monge, decorativo.

Deixei a bolsa na banqueta e entreguei a máquina para o monge adolescente que ia me guiar pelos tigres e fazer o book fotográfico. Contrariando tudo que tinha escutado sobre monges budistas, ele me puxou pela mão. Reparei que os outros monges davam petelecos “carinhosos” em tigres menos comportados. O primeiro gatinho, assim que me viu, começou a ficar irritado e levou um safanão na testa, eu achei por bem pular esse e tirar fotos só com os que estavam dormindo. Alguns tinham um monge “decorativo” a tiracolo, não me lembro se pagava mais caro pelo monge.

Depois do último tigre, saí correndo pelo mesmo caminho em que entrei, sem nem me preocupar em ir ver os tigres pequenos, com a certeza que safari não é a minha praia. Mesmo.  Ps: na saída, ainda pude ouvir um dos guias australianos tentando convencer um turista de que não era uma boa ideia entrar com um neném de colo na jaula, paternidade responsável, nos vemos na Tailândia.

Quanto custa?

A agência mais barata que eu achei fica em uma das (duas) ruas que limitam a Khao San Road, em Frente ao Chana Wat, obviamente perdi o nome exato, mas era alguma coisa “99”. Comprei para um mesmo dia: passeio de elefante, mercado flutuante, ponte do rio Kwai e Templo do Tigre a 950 thai bath (pouco mais de 30 dólares – com almoço incluso, mas os 600 baths do templo do tigre eram a parte). Em outro dia, o passeio para Ayutthaya saiu a 400 (13). E, num terceiro, a viagem pra Siem Reap, Camboja, a incríveis 200 (7 dólares!), totalizando 1450 thai baths (menos de 50 dólares).

Dica para viajantes de orçamento limitado em Bangkok

Se sua viagem é de baixo custo, todas as agências que são mais em conta utilizam a mesma máfia de vans para te levar para os lugares, então procure a mais barata mesmo! Não tem vantagem nenhuma pagar mais caro! A única coisa que você não deve fazer é se aventurar com os tuctucs. Eles vão estragar o seu passeio parando em mil e uma lojas em busca de comissão (já sabia disso por antecedência e não peguei nenhum durante a viagem). As vans vão direto, podem ser até confortáveis, dependendo do lugar em que você sentar e são absolutamente confiáveis.

Também não é necessário reservar nada com antecedência! Chegando na agência eles vão te encaixar em algum lugar mesmo se você quiser um passeio pro mesmo dia!

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