2019 o pior ano da minha vida

Acho necessário escrever uma retrospectiva deste ano que foi tão ruim em tantos aspectos. Até porque, como vem sendo comum, não tenho escrito muito. Não que não fosse necessário, tive um livro pra terminar, que não terminei, tive um TCC para escrever, que não escrevi, muitas ideias para realizar, que não realizei (ver Tabacaria aqui embaixo).

Mas também, apesar das lamúrias, é bom partir do pré-suposto que tive uma vida muito boa e sem muitas dificuldades até então. Para ser o pior ano da minha vida, não custava muito – no caso, alguns meses de desemprego.

2018 – O prelúdio

Para explicar 2019, preciso voltar ao segundo semestre de 2018. Em agosto me casei com a Marilda. Gostei tanto de tudo que envolveu o casamento, da festa, do cartório, e fui tão feliz por aquelas poucas horas, que, assim como vem sendo nessa grande montanha russa da vida, esperava que viessem algumas dificuldades para equilibrar esses momentos de extrema felicidade. É o balanço do universo.

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Em outubro, teve a eleição que mexeu fundo na minha sensação de segurança. Quem não se sente pessoalmente ameaçado nunca vai entender o que aquilo significou e porque não era uma questão de um partido versus outro. Nem vou tentar explicar mais uma vez. Em novembro de 2018, na ressaca das eleições, decidi sair de um emprego que se tornava cada vez mais, com o perdão do termo, “tóxico”. Era um emprego que me pagava bem, mas que me fazia acumular muito Karma negativo.

A sensação de pedir para sair de um lugar que me fazia mal foi incrível, lembro que foi no dia em que comemorávamos o aniversário do meu chefe, e ele não esboçou nenhuma reação com o meu aviso. Eu, por minha vez, fiquei numa sensação de euforia (alforria – será que essas palavras tem uma origem etimológica em comum*?) que durou até o último dia do aviso prévio.

Em novembro, eu e esposa decidimos fazer uma loucura – para o atual cenário de incertezas: uma viagem para Portugal, nossa lua de mel.

2019 – Viagem desemprego desespero

Em janeiro, viajamos. Nosso voo tinha uma parada de 8 horas em Paris, em que tínhamos planejado uma maratona turística. Descemos do voo, corremos para a imigração, corremos para o metrô, fizemos baldeação dentro da estação e finalmente chegamos ao primeiro ponto de parada: a Estação da Torre Eiffel, de onde veríamos a famigerada torre de pertinho.

Estávamos saindo da estação do metrô, subindo a escada rolante e discutíamos alguma coisa sobre a viagem. A Marilda, no degrau mais alto, na frente, estava virada para mim, no degrau de baixo. Então, vi os pequenos floquinhos aparecendo ao final da escada, na saída da estação. Como em um filme, não conseguia explicar direito o que estava vendo para que a Marilda se virasse e visse também, eu só repetia “amor… amor…” apontando para a saída até que ela entendeu e se virou, vendo os pequenos floquinhos caindo logo na saída da estação.

Foi um momento muito emocionante para nós duas, e brincamos de jogar bolinha de neve, escorregamos no chão molhado, passamos um frio dos infernos. Os chuviscos de neve logo se transformaram numa tempestade moderada e aproveitamos o cenário branquinho para as fotos com a Torre, com o Arco do Triunfo, com a Notre-Dame.

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Depois da rápida parada, fomos para Lisboa, visitamos Sintra, fomos para o Porto, fizemos um tour romântico de degustação de vinho. Foi um sonho, mas bem rápido voltamos à realidade. Tinha previsto fazer trabalhos freelancer e iniciar minha busca mais estruturada por emprego em março. Estimei (e nos planejamos financeiramente) para que, no máximo até maio estaria novamente empregada. Mas o desemprego foi se estendendo, os trabalhos foram ficando escassos e o desespero foi chegando. Foram dias em que chorei de desespero algumas vezes. Apenas em agosto consegui um novo emprego.

O dia em que recebi a notícia de que havia sido contratada foi diferente também. Estava a caminho de uma entrevista para um cargo muito bom, mas em uma empresa em que não queria trabalhar de jeito nenhum – cof cof envolvida em casos de trabalho análogo à escravidão. A Marilda me levava de carro e, faltando 5 minutos para chegarmos no local, tive uma crise de pânico e choro. Não queria trabalhar naquela empresa, mas naquele momento não tinha condições de negar nenhuma oportunidade. Marilda me acalmou e me apoiou na decisão de não fazer a entrevista. De noite, me ligaram de outro processo seletivo para avisar que eu tinha sido selecionada!

O novo emprego não veio com um salário muito bom, mas tinha um ambiente muito mais saudável. Meu Karma agradeceu. O bolso ainda não.

Em outubro, tomamos uma grande decisão: mudar de casa.

Mudança

Desde o início de 2018, estávamos na casa que minha esposa tinha comprado antes de nos conhecermos. Ela não queria voltar para aquela casa, em que tinha várias recordações ruins, mas naquele momento não tínhamos muitas opções. Tivemos muitas discussões no início, não gosto de reclamar e nem que reclamem das nossas coisas, tenho aquela filosofia de sentir (e expressar) gratidão pela casa, pelo carro, por tudo que nos serve pra alguma coisa.

Ao nos mudarmos, ela xingava todos os pequenos contratempos como se fossem o fim do mundo. Um pequeno vazamento virava uma inundação. Conversamos que construiríamos uma história diferente do que ela já tinha vivido por lá. E, no final das contas, a casa foi muito importante para a gente. Em meados de 2018, o Pluto, um cachorro que já tinha sido da Marilda e de quem ela precisou se desfazer, mas ainda sentia muita falta, foi devolvido. Ele tem uma personalidade um pouco difícil. Se não estivéssemos naquela casa, provavelmente não teríamos como acolhê-lo.

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Mas uma hora o isolamento começou a pesar, a casa era muito longe de tudo e, depois de meses nos planejando para uma mudança, decidimos por alugar um apartamento.

No novo apartamento dormimos e acordamos todos os dias mais felizes. E isso faz muita diferença. Lembro do dia 27 de novembro. Fomos dormir muito felizes, e pensei novamente que estava tão feliz que era provável que alguma coisa acontecesse de ruim – sempre tem esse equilíbrio do universo me perseguindo.

No dia seguinte, minha esposa foi desligada do trabalho. Entramos novamente em um ciclo de incertezas.

É respirar fundo, acreditar e repetir o mantra: se em 2019 eu morri, em 2020 em não morro mais.

Agradecer por 2019

2019 foi difícil sim, mas foi o ano em que eu vi neve pela primeira vez, foi um ano em que a Marilda (esposa) esteve do meu lado em momentos muito difíceis, foi o ano em que recebemos notícias boas, foi o ano em que mudamos para um apartamento que sonhamos durante muito tempo. O ano que se vai, vá com Deus, e que 2020 venha renovado para ser um ano de tranquilidade e prosperidade.

* Segundo a Wikipedia, não. Euforia vem do grego εὐφορία, “poder de perseverar facilmente” e alforria, do árabe al-hurrīíâ “estado de homem livre, não escravo; liberdade”.

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