Caraminholas

Neste momento, pouco mais de meio milhão de caraminholas passeiam pelo espaço entre o meu cérebro e eu. São verdes, azuis, roxas e pálidas, se locomovem como larvas, ou cobras, ou minhocas: apoiando seus voláteis corpinhos numa prega de neurônio e encaraminholando, indo de um lado a outro, percorrendo distâncias enormes em segundos. Algumas aproveitam … Continue lendo Caraminholas

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Casa lascada

E tem teto rebaixado, iluminação indireta, mesa de mármore, uma televisão que só não é maior por falta de espaço. O que não tem é a marca da mão do Pedro na parede da cozinha, mais ou menos na altura do meu joelho. Que imundice era aquela, que ele guardava nos dedos e que nunca … Continue lendo Casa lascada

Desrima da linha de cozinha

Era uma vez uma linha de cozinha que queria estar junto com as outras na caixa de costura. Mas ela ficava sempre jogada no armário sob a pia, lamentando sua vida dura. Ainda nova, fora tirada do alfaiate pra repartir um grande bolo de chocolate. A metade de cima despedaçou quando foi cobrir o recheio, … Continue lendo Desrima da linha de cozinha

Mais uma sobre amor

E eu não sei se te amo ou se só me acostumei a este sentimento. E de costume, acordo todos os dias pensando em você, e num ou dois ou três momentos das minhas manhãs e tardes, lá está você imaginária, me enchendo de preocupações e incertezas. As coisas não são bem como eu consigo … Continue lendo Mais uma sobre amor

Outro ao fim do dia

Depois de ler este texto aqui sobre um fim de dia em BH, fiquei inspirada pra escrever um também!   E é bem depois da última nota de música clássica e do derradeiro pouso de gotas na fonte central que, de banho tomado, homens e mulheres lotam novamente aquilo que já foi exclusivamente um campo aberto de atividades … Continue lendo Outro ao fim do dia

Das coisas inéditas

A vida não é aquela que aconteceu uma vez e depois de novo. A vida é inédita, de todos os pontos de vistas. Inédita pra medicina, inédita pra história, inédita para a matemática. Se perde o ineditismo, não é vida, não é nada. Um dia, estava parado na beira de uma ponte e veio um menino, medindo pouco  mais que a minha cintura, perguntar se eu ia me jogar. Achei engraçado, por ser o menino tão pequeno e a pergunta tão grande. Não ia não, respondi, e voltei a olhar o fluxo das águas. … Continue lendo Das coisas inéditas