Receba cartões postais de graça

Moro aqui na Índia há 2 anos. Apesar de ter mandado vários postais de outros países para os quais viajei nesse tempo, nunca mandei um único cartão daqui. Também escrevi bem menos sobre o que vivi aqui do que em outros lugares. Para recuperar o tempo perdido, decidi fazer um projeto (rufem os tambores):

Quero te mandar um postal da Índia.

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Vou enviar 100 cartões postais para pessoas aleatórias. Podem se inscrever amigos, conhecidos, semi-conhecidos e desconhecidos. Vou escrever pra todo mundo (até o limite de 100). Em cada cartão, colocarei uma rápida experiência que tive por aqui, numerada cronologicamente, de forma a narrar esses dois anos de amor e ódio.

Como participar?

Preencha o formulário abaixo e aguarde o seu cartão. 25 CARTÕES AINDA EM BUSCA DE DESTINATÁRIOS! CABOU! OBRIGADA TODO MUNDO QUE MANDOU, AGUARDEM SEUS CARTÕES.

PFAQ (possíveis perguntas frequentes):

Preciso estar no Brasil? Não, mas os postais serão escritos em português. Escreva o seu endereço de um jeito que o correio daí entenda e tá tudo certo. Até quando posso me inscrever? Vou ver se dá certo/quórum até o dia 12 de junho. Preciso enviar todos até o final de junho. Você usará meus dados pra outros fins? Não. Você pode informar qualquer nome que quiser. Não me responsabilizo se um hacker invadir o meu e-mail e roubar todos os dados. Também estou confiando na boa fé dos amiguinhos na hora de informar endereços, será uma pena se os postais que escrevi com tanto carinho forem extraviados. Posso compartilhar nas famosas redes sociais? Sim! Pode me marcar também, ou usar a hashtag #ttpostal (caso seu post seja público, pelamor, caso não, #tantofaz). Ficarei feliz em ver cartões chegando.

Receba cartões postais de graça

Meu Pequeno Tropicalista

Faz tempo, aproveitando a paixão do meu sobrinho por animais, mostrei a ele Gal Costa cantando vaca profana, e, de uma vez só, ele caiu na linha dos baianos. Graça das graças, cantava a letra inteira, começando concentrado com “respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minhas risadas” e entoava sofrido o “veeeeem, dona das divinas teeetas”.
Com cinco anos agora, meu sobrinho desenvolveu uma fixação sobrenatural pela Maria Gadu. A gente explica que tal música é do Caetano, que a versão mais famosa daquela foi com uma cantora chamada Edith Piaf. Ele, que já sabe escrever e ler de tudo, foi procurar no youtube o clipe de ne me quitte pas, digitando assim “nemecitpa” e eu, babona, achei uma graça linda.
Acho que ele deixaria uns 20 ou 30 animais de sua coleção de bichos de plástico por um DVD da Maria Gadu e do Caetano.
Hoje, Natal, ele veio me perguntar como é que era mesmo aquela música, e cantarolou: “beleza puuura”, então, enquanto ele olhava com aqueles olhos grandões que ele tem quando admira que eu saiba a letra das músicas, entoei: não me amarra dinheiro não, mas formosura, dinheiro não, a pele escura, dinheiro não, a carne dura.

Meu Pequeno Tropicalista

2014 – O ano em que perdi o gosto por despedidas


Em 2014, fiz a mesma grande viagem, ida e volta, três vezes. Por três vezes fui da Índia ao Brasil e, por outras três, fui do Brasil para a Índia. Eu virei minha própria piada de novela da Glória Perez, Mumbai é o meu Marrocos, minha casa de veraneio, meu Caminho das Índias.

Primeiro Ato

A primeira volta ao Brasil foi planejada, durante o carnaval, para visitar a família e alguns clientes. Por um erro de cálculo do RH da minha empresa, voltei para a Índia no que deveria ser a ‘janela’ para o pedido de extensão do visto, quinze dias antes que ele vencesse. Só não esperavam que o meu visto não pudesse ser estendido.

Quando fui informada que o visto não seria estendido e que não havia alternativa a não ser voltar para o Brasil, meu mundo caiu. Eu não tinha muita coisa na Índia, mas tinha o essencial – um plano. Que envolvia mais seis meses de trabalho e empenho. “Não faz sentido!” a voz saiu quase gritada na discussão com o chefe. O trabalho de meio período a distância no Brasil que ele me propunha não era uma opção viável para mim. Precisava de um tempo para pensar, disse com a voz embargada. Antes que as lágrimas rolassem sem controle, corri para o banheiro e chorei sentada no chão frio do cubículo sanitário.

Na madrugada desse mesmo dia, meu ex-chefe do Brasil perguntou como andavam as coisas e falei sobre a possibilidade de voltar por um tempo. Ele me ofereceu uma vaga num projeto, o que fez meu mundo ganhar mais perspectiva: de fome não morreria. Mais calma, escrevi o e-mail para o chefe da Índia, dizendo que poderia trabalhar meio período do Brasil – diga ao povo que fico!

Segundo Ato

Faltavam 5 dias para que meu visto vencesse de vez, mas o RH ainda não havia desistido da improvável extensão. No último dia de legalidade, pela manhã, eu estava no escritório de registro de estrangeiros, com meio quilo de documentos, tentando a sorte. Novamente um não. Nos 40 minutos da viagem de volta de trem urbano – o registro de estrangeiros é tão longe – tentei absorver ao máximo a paisagem de favelas a beira da ferrovia, os saris coloridos das mulheres pobres esvoaçando pela porta sempre aberta, o mantra do vendedor de bugigangas para cabelos. Pensei que poderia ser a última chance de ver aquilo tudo.

Duas da tarde e ainda juntava e distribuía as minhas coisas, não podia deixar nada para buscar depois, para o caso de não voltar. A passagem de avião, somente ida, foi confirmada para a uma da manhã do dia seguinte ao vencimento do visto, eu deveria fazer a imigração antes da meia noite. Fui. Fiz.

A viagem é dolorida, fisicamente dolorida, são 30 horas entre um ponto e outro. Na ida, com os fusos a favor, chego no mesmo dia. Na volta, demoro três dias para chegar e mais uma semana e meia para me adaptar ao novo (velho?) horário. A conexão final da chegada, entre São Paulo e Belo Horizonte funciona como um portal para a realidade “real”. A partir dela, a Índia parece um sonho sonhado, de muitas cores e pouca consistência.

Terceiro Ato

Consegui um novo visto e, dois meses depois de voltar para o Brasil, embarcava, teimosa, para a Índia. Cheguei com as chuvas de monção. A despedida do Brasil foi mais dolorida dessa vez e por algum tempo parecia inacabada – a saudade e sentimento de culpa por deixar o sobrinho eram enormes. As crianças ensopadas pedindo esmola e carregando bebês por entre os carros em movimento me incomodavam como nunca antes. O quarto do novo apartamento era terrivelmente quente. Os primeiros dois meses de volta foram azedos, com um pensamento fixo em voltar. Mas as perspectivas de avanço profissional reacenderam alguma paixão que havia, e resolvi, mais uma vez, ficar. E ficar mais.

E foi assim que, cinco meses depois da segunda viagem, voltei mais uma vez, dessa vez por quinze dias, para mudar o “status” do visto para algo mais permanente. Agora, na teoria, posso ficar por 3 anos aqui. A despedida se transformou em rotina.

Termino 2014 com a sensação de que, no final das contas, não viajei para lugar nenhum, aquela regra física de cálculo de deslocamento, sabe? Tantas voltas para o mesmo lugar. Fui anestesiada por essas idas e vindas enormes. De saldo, já posso dar pitaco sobre a Ethiopian Airlines, South African e sou quase expert em Emirates. Ganhei tantas milhas quanto possíveis. O mundo está cada vez menor. Perdi o gosto por despedidas. Meu projeto 2015 em diante é ser feliz viajar de classe executiva.

2014 – O ano em que perdi o gosto por despedidas

A lagarta e o horário de silêncio

Num réveillon, decidi inovar e ir prum retiro espiritual. Isso foi bem antes da Índia surgir na minha vida (e, para todos os efeitos, a Índia ter surgido não tem nada a ver com elevação espiritual). O retiro ficava numa cidade no interior de São Paulo e oferecia horários extensos de meditação, refeições zens e aulas de ioga. Das 9 da manhã às 6 da tarde, era proibido conversar. A proibição era para qualquer comunicação verbal ou não-verbal, de forma que não era permitido nem contato visual nesse horário.

Um casal com (codi)nomes hindus chefiava o local. A mulher parecia uma legítima indiana, com sotaque e tudo, e estava cuidando do filho recém-nascido. O marido era um português que tinha encontrado iluminação e perdido uma perna, não lembro muito bem se uma coisa estava relacionada com a outra, mas ele se virava bem meditando com a perna-mecânica. Uns três cachorros guardavam o sítio e vez ou outra a mulher chamava aos gritos o nome do menos comportado: Shiiiiiiva!

Cheguei numa quarta e passei quinta e sexta praticamente sozinha. Contrariando o regulamento do lugar, ligava meu telefone celular e conversava pelo Facebook, inclusive durante o horário de silêncio #vidaloka. Como estava sozinha num quarto coletivo, me enfiava debaixo do edredom para que a iluminação do celular não despertasse suspeitas durante a noite. Em vez de elevação espiritual, desenvolvi uma paranoia de que a qualquer momento iria ser descoberta e expulsa do sítio.

Também não me adaptei muito bem às atividades contemplativas. Não que tenha me esforçado muito: fui à meditação uma vez mas, depois disso, ignorava o soar do gongo às 5 da manhã e continuava dormindo. Porém, ficava atenta para acordar com o gongo do café da manhã, às 8 – perder a primeira refeição do dia significava não comer nada até às 2 da tarde, quando o almoço era servido.

No fim de semana, mais gente chegou ao lugar e ganhei uma colega de quarto, o que me impediu de conversar no Facebook. Uma segunda colega chegou durante o horário de silêncio e teve que se virar com o nosso aparente desprezo (sem contato visual). Como acontece quando não se tem nada a fazer a não ser ficar em silêncio, dormimos muito cedo e muito.

A moça que tinha chegado no horário de silêncio nos acorda desesperada no meio da noite: ela tinha pisado em um bicho e seu pé estava inchado e doendo. Apesar de sofrer calada por 40 minutos (!!), resolveu nos acordar porque bolinhas roxas começavam a aparecer no dedão – seria bastante irônico mais uma perder a perna por ali.

Conseguimos acordar o caseiro do sítio, um homem que trabalhava por lá em troca de casa, comida e iluminação. Ele foi chamar seu chefe que levou a colega prum hospital de emergência, em que rapidamente a dispensaram com um “provavelmente foi uma lagarta, não vai acontecer nada, deixa eu ir cuidar do paciente baleado aqui”.

No dia seguinte, outra mulher chegou ao sítio. Mais velha, ela parecia não entender muito o conceito de silêncio e não parava de falar por um segundo. Foi quando aprendi que ela e a chefa do sítio foram vizinhas em uma cidade da região metropolitana da capital paulista, cidade aliás em que a chefa nascera e vivera toda a vida, e que as duas viajaram juntas pra Índia num pacote ótimo da CVC.

A passagem de ano foi passada dormindo, como 90% do tempo por lá. Como o retiro ficava em um condomínio com muitos outros sítios, o sono do réveillon teve como trilha sonora clássicos do É o tchan e hits da época, destaque para Ai se eu te pego, tocado à exaustão em um vizinho, além dos fogos na madrugada. Fui embora fugida um dia mais cedo do que o previsto e aproveitei a carona de volta à civilização com a moça que tinha pisado na lagarta.

A lagarta e o horário de silêncio

As 5000 camisinhas, o arco-íris e a prostituta

O meu primeiro estágio remunerado foi num projeto de pesquisa de prevenção ao HIV da faculdade de medicina. Trabalhava na comunicação com os voluntários – homens gays, bissexuais e travestis.  Num fim de semana antes do carnaval, fui para a sede de uma ONG participar de uma força-tarefa pra empacotar 5000 camisinhas que seriam distribuídas no concorrido (cof cof) sambódromo belorizontino.

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A missão era simples: colocar os pacotinhos de camisinha em caixinhas com instruções sobre a prevenção.  Na pequena casa suburbana, estavam reunidos um dos voluntários mais antigos e engajados do projeto, uma colega e dois membros da ONG. Montamos um esquema fordista em que um abria caixinhas, outro colocava a camisinha dentro e outro fechava. Alguns pacotes de camisinha estavam rasgados, o que fazia com que o lubrificante melecasse tudo e nossas mãos ficassem escorregadias, interrompendo a linha de produção de tempos em tempos para nos limparmos.

A tarde ia monótona, em meio a casos de um dos membros da ONG que já tinha sido infectado por todas as doenças sexualmente transmissíveis catalogadas, parcialmente por ter sido usuário de drogas injetáveis, mas, por algum milagre, tinha passado ileso pelo HIV. Ele narrava detalhes de sua vida louca, vidaaa. Numa pausa para o café, o voluntário engajado chamou a todos para ver um arco-iris que tinha se formado no céu, nada mais adequado – momento oinnn coletivo.

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O trabalho demorou mais do que o previsto e já era noite quando voltei pra casa. Meu orçamento era para voltar de ônibus, mas o lugar onde a ONG ficava não era muito convidativo para esperar num ponto, então fui arrastada para rachar um taxi com a trupe. Combinaram com o motorista de levar todos para a Rua da Bahia, perdi parte da negociação e achei que o taxi me deixaria na Rua da Bahia próxima a minha casa.

Quando o taxi parou num lugar do centrão, bem longe, e todos desceram, fiquei com cara de cachorro abandonado. Quebrada e sem dinheiro, minhas moedinhas foram todas para a vaquinha do taxi e eu precisaria que ele me levasse mais a diante. Com pena, mas resmungando muito, o motorista concordou em me levar para perto de casa, não sem antes, num sinal no caminho, parar para combinar um programa com uma prostituta. Depois de se cumprimentarem como velhos conhecidos e conversarem amenidades, ele pergunta sobre a disponibilidade da moça e pede “Dois minutos e já volto”, ela sorri.

As 5000 camisinhas, o arco-íris e a prostituta

O fulano que fazia taxi

Estava num bar, com um grupo de amigos, já passava de uma da manhã, quando resolveram ir finalizar a noite em um outro lugar próximo que tinha “jukebox”. Já nem lembrava como eu tinha chegado naquele bar, estava com sono e não tinha a menor ideia de em qual lugar da cidade eu estava, só que tinha 20 reais pra ir embora de taxi – e a distância certamente era muito maior. Comento da minha indisposição com um dos meninos, que estava de carro, e ele oferece carona “Vamos lá, umas 3 músicas e eu te levo em casa”. gays O grupo, formado majoritariamente por homens gays, cantava e dançava pela rua, “dando pinta” no sentido mais profundo da expressão (#giriasidosas). Nos dividimos nos carros disponíveis e aproveitei a oportunidade para ir com um terceiro amigo andar na Kombi de um quarto, que tinha acabado de conhecer. Era a primeira vez que eu via um motorista de Kombi gay e estava muito curiosa sobre esse nicho. Conversamos pelo caminho, acredito que ele tinha uma barraquinha numa feira ou algo assim.

Ao chegar no local, um bar de bairro, meio sujo e sombrio àquela hora, fiquei temerosa por estar num grupo tão “animado”. Na entrada, uma mesa de pôquer concentrava senhores barrigudos, fazendo minha preocupação ganhar forma. Comecei a entoar meu mantra interno sociedade homofóbica: vamos apanhar, vamos apanhar, vamos apanhar. Uma olhada pra garçonete do lugar me tranquilizou. Ela parecia ser uma travesti e recebeu os meninos como velhos conhecidos – ufa, não vamos apanhar… gayhell Fomos acomodados numa mesa forrada com papel contact da Hello Kitty, próxima à pequena jukebox aos fundos do bar. Olhei para a carona: “só três músicas e já vamos!” repetiu ele. Mal pisquei e já tinham enfileirado 15 músicas, entre Sandy e Júnior, Roberta Miranda e Vanessa Camargo, enquanto dançavam animados à trilha de Pequena Sereia. Planejando sacar dinheiro pelo caminho, decidi pedir pra garçonete para ligar para um taxi. Ela exclamou: “Peraí, que fulano faz taxi!” E saiu esbaforida pela rua a procura de fulano que fazia taxi. death Fulano que fazia taxi tinha uma Brasília 64 vinho com o vidro da frente trincado e aparentava estar saindo de algum outro bar. Obviamente não havia um taxímetro, então, fingindo segurança, como se pegasse fulanos que fazem taxi sempre, perguntei: “Quanto sai a corrida”, “Ah, não sei, diz aí, quanto você acha”. Lembrei da nota de 20 reais na bolsa e soltei um resoluto “Uns 15.” ao que ele retruca “Não… Uns 20, vai…” e fui. Cheguei viva.

O fulano que fazia taxi

Universos inacabados

Vejo brotar nações de 200 milhões, de 1 bilhão de universos ensimesmados. Não há deus presente que se faça valer de tantas estrelas em um único jeito de ser, que se multiplica como se não se apegasse à ideia de fim. Tão únicos na qualidade de existir que, por um, dois momentos, pensam não haver ofício possível que os reúna, novamente, numa qualidade de ninho.

Desses relapsos universais, se constrói um mundo em cima de outro, em cima de outro, em cima de outro. Num planeta que gira com seus tantos bilhões de unicidades, com suas tantas milhares de capitais – em meio àquelas estrelas cadentes explosivas. Faz um desejo, para que a noite as silencie. Resta um novo escombro dentro da nova construção.

Gladiadores, universos necessários, com os quais é preciso fazer tanto. Sentam-se sobre si mesmos: não há lua, não há sol e não há vento, a direção acabou.  Não há o abrir de janelas para uma multidão de mundos, não há vácuo e nem o novo, apenas o que existiu e se reconstrói.

Perdem-se detalhes: pequenas vidas equilibradas em pernas tão finas quanto é possível que sejam, elas brincam de pedir por água e comida, e são tratadas assim como são criadas, assim como estão destinadas. São algo a menos que os cachorros da rua, são algo a mais que as pedras na construção, sempre obstáculos no caminho. E os cachorros se amontoam polivérmicos, tristes, compassíveis, dividindo esse espaço sideral tão reduzido.

Vejo brotar da terra sinais de esperança. Não há finitude para a água que faz a terra brotar. Também, finitude não há para a terra que impregna-se da face, e marca, como rio corrente a lágrima quando há o vazio do que não existe por toda parte, somente aqui: seja a fome, mal corrosivo, seja a dor, companheira fiel, seja a tristeza, uma opção.

Universos inacabados