Sr. Saudades

Estava uma fila muito grande, a espera na porta por esse senhor que, se não veio de distante, veio de muito longe, mas já foi perto um dia, mas agora estava por onde o olhar não alcança. É o Sr. Saudades, e lá vem ele, de terno e gravata, de chapéu e bengala, e vem … Continue lendo Sr. Saudades

meio aberta

Corro em direção à porta. - Obscena! Me desconstrói esse seu jeito de dizer as palavras pelas sílabas, dissociadas do significado. Igualmente assemântica, eu, sem fôlego e prostrada no batente, a observo. Ainda não parou de rir. Então, desfeita pelo esforço de todas as minhas tentativas anteriores, sorrio, um pouco para finalizar a respiração carregada, … Continue lendo meio aberta

Palavrinhos para Tereza, a adúltera

Tereza, atende a porra desse celular que sou eu quem está te ligando, merda. Tereza, atende o filha da puta do seu noivo antes que ele venha enfiar o telefone no seu rabo. Tereza, vai tomar no cu, caralho. Tereza, liga pra mal comida da sua amiga antes que ela te foda de vez. Tereza, … Continue lendo Palavrinhos para Tereza, a adúltera

Diário de uma garota precoce – 13 de outubro

Tem que ter muita coragem para ser uma garota de quatorze anos hoje em dia.  Paro e reflito sobre a frase que acabo de ler, e reconheço que, de certa forma, me identifico profundamente com a palavra "coragem" e, mais diretamente, com o fator "quatorze anos", mas, mesmo assim, não espero grandes revelações para as … Continue lendo Diário de uma garota precoce – 13 de outubro

declaração de amor platônico

Cabe dizer que eu não te amo, ela interrompe. Eu não ligo, continuo, não me importa se me ama ou não me ama, eu te amo um tanto, e isso deve bastar. Não para ficarmos juntos. Certamente não, mas para que eu sofra embriagado, para que te ligue (embriagado ou não), para que eu pergunte … Continue lendo declaração de amor platônico

Estrela cadente

pessoas cadentes gostam de estrelas cadentes. E, vupt, mais uma sentenciou-se morta lá no céu. o menino que olhava - naquela noite daquele lugar do céu mais cintilante do que o de qualquer outro lugar no mundo - fez um pedido. qual, perguntou a mãe (sorridente) ele não respondeu. a única que soube descansava no des-céu … Continue lendo Estrela cadente

sexta com cara de segunda

E o que eu faço nesta sexta-feira, meu deus. Que chega mansa, trazida de perto, embrulhada em confeito, o papel semiaberto. O que eu faço desta sexta-feira, meu deus? Que me dá gastura, que empola as vísceras e corrói o esôfago. A ajuda chega, me murmuram os anciões, donos de todas as sextas-feira, e eu … Continue lendo sexta com cara de segunda